Vasectomia pelo SUS está mais acessível
A recente publicação de uma portaria do Ministério
da Saúde autoriza a realização de vasectomias em
postos de saúde e hospitais-dia. Até então o procedimento
cirúrgico contraceptivo só podia ser feito em hospitais
convencionais por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
- É um procedimento que não
precisa de internação nem é necessário ser
feito em um bloco cirúrgico. Além disso, leva cerca de
10 minutos, e o paciente pode ir para casa dirigindo ou até pilotando
uma motocicleta - diz o médico João Batista Filho, que
já fez mais de 6 mil cirurgias. O fato de estar restrito a hospitais
convencionais e o valor pago pelo Ministério da Saúde
inviabilizavam na prática o procedimento por meio do SUS, explica
Adson França, coordenador do Pacto Nacional pela Redução
da Mortalidade Materna e Neonatal, vinculado ao Ministério da
Saúde.
Antes da portaria, era necessário, além da internação,
exames complementares e uso de bloco cirúrgico, o que muitas
vezes emperrava a oferta desse tipo de atendimento na maior parte dos
hospitais.
A vasectomia integra a Política Nacional de Planejamento Familiar.
Para facilitar, segundo França, o procedimento também
foi incluído na Política Nacional de Cirurgias Eletivas,
instituída em 2004 com o objetivo de identificar e reduzir ao
máximo, até eliminar, as filas de espera para alguns atendimentos
realizados pelos SUS. Há pouco mais de um ano, o encontro entre
o médico João Batista Filho e uma técnica do Ministério
da Saúde durante um vôo de Brasília para Porto Alegre
contribuiu para aquecer uma discussão interna sobre o assunto
no ministério.
Segundo Batista, a funcionária
ficou surpresa ao saber que, desde 2003, vasectomias eram feitas regularmente
em postos de saúde em cidades da Região Metropolitana
com recursos municipais.
Além de reduzir as gestações indesejadas, a vasectomia
é uma das apostas do governo federal para reduzir as mortes causadas
por abortos ilegais. Por ter baixa complexidade técnica, é
um procedimento ambulatorial, com anestesia local. No dia seguinte,
o paciente pode voltar ao trabalho. A cirurgia não causa nenhum
tipo de disfunção sexual, erétil ou altera o prazer
do ato sexual, afirma Batista.
-Ainda neste ano, vamos fazer campanhas
publicitárias e divulgar uma cartilha esclarecendo a população
sobre a vasectomia - revela Adson França.
Saiba mais
Reversível e irreversível
A vasectomia pode ser irreversível ou não. Na irreversível,
os canais deferentes são interrompidos e cauterizados, enquanto
na reversível os canais são suturados, obstruindo a saída
dos espermatozóides dos testículos. Nesse caso, o procedimento
tem maior possibilidade de apresentar falha, podendo causar uma gravidez
indesejada, e por isso é menos utilizado.
A legislação
- A vasectomia voluntária é regulada pelo inciso I do
artigo 10 da Lei nº 9.263 de 1996, que trata do planejamento familiar:
Artigo 10 - Somente é permitida a esterilização
voluntária nas seguintes situações:
I - Em homens com capacidade civil plena e maiores de 25 anos de idade
ou, pelo menos, com dois filhos vivos, desde que observado o prazo mínimo
de 60 dias entre a manifestação da vontade e o ato cirúrgico,
período no qual será propiciado à pessoa interessada
acesso a serviço de regulação da fecundidade, incluindo
aconselhamento por equipe multidisciplinar, visando a desencorajar a
esterilização precoce.
- Portaria 1.319 de 5 de junho de 2007 do Ministério da Saúde
passa a permitir a realização do procedimento cirúrgico
em postos de saúde e hospitais- dia. Também eleva de R$
28,42 para R$ 103,18 o valor pago pelo SUS pelo procedimento.
Fonte: médico João Batista Filho
O número
Em 2006 foram realizadas 20.432 vasectomias no Brasil pelo SUS.
|