Alzheimer
e estilo de vida
Em 1901, o médico alemão Alois Alzheimer começou a tratar, no asilo da cidade de Frankfurt, uma senhora de 51 anos chamada Auguste, que apresentava estranhos distúrbios do comportamento e perda da memória. O doutor Alzheimer se interessou pelo caso e acompanhou a paciente por cinco anos. Quando ela faleceu, o médico procedeu à autópsia e encontrou nas células cerebrais da paciente lesões que nunca tinham sido descritas antes, inclusive as agora famosas placas amilóides. A partir daí o nome de Alzheimer se associou a uma doença que preocupa muito e que hoje se configura como verdadeiro problema de saúde pública.
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Pergunta: por que ninguém havia descrito essa doença antes? Em parte, porque Alzheimer utilizou técnicas relativamente novas. Mas também é possível que a enfermidade não fosse tão freqüente. As pessoas raramente chegavam a idades avançadas. E também o modo de vida era outro. É sobre esse modo de vida que vale a pena falar. O que evita o Alzheimer? Por causa da freqüência com que a doença ocorre, e por causa das penosas limitações que representa, numerosas pesquisas têm sido feitas nesse sentido. Medicamentos e também vacinas estão em estudo. Mas, e isso é importante, a maneira como se vive influencia no surgimento e na marcha do Alzheimer. Comprovam-no as medidas que protegem contra a doença:
1. O ácido graxo, conhecido como ômega 3, que está presente nos peixes e que também evita o processo de arteriosclerose 2. O consumo moderado de vinho tinto, tipo Cabernet Sauvignon 3. Frutas e sucos de frutas, que sabidamente incluem substâncias antioxidantes, capazes de deter o processo de desgaste, de "ferrugem", do organismo 4. Restrição calórica, uma medida que, já se verificou em animais de laboratório, também aumenta a expectativa de vida 5. Atividade mental e intelectual dos mais diversos tipos: leitura, jogos, palavras cruzadas, aprendizado de idioma. Verificou-se que as pessoas que falam duas ou mais línguas tem um grau de proteção contra Alzheimer 6. O exercício físico, que pode diminuir em até três vezes o risco de Alzheimer 7. As conexões sociais, por meio do contato com outras pessoas e pela participação em atividades de tipo comunitário
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Notem: essas recomendações foram confirmadas por estudos científicos, às vezes em milhares de pessoas observadas por muitos anos. E todas elas convergem para um ponto: um estilo de vida saudável, sensato, protege nosso cérebro, como protege nosso organismo em geral. As placas amilóides nada mais são do que a marca registrada de uma forma de viver inadequada. Devemos ser gratos ao doutor Alzheimer e a sua paciente de Frankfurt por terem aberto o caminho para que cheguemos a uma verdade, ao fim e ao cabo, absolutamente lógica.
Fonte: 04/08/2007 | ZERO HORA | Vida | Coluna Moacyr Scliar | p. 02
Reserve tempo para carregar suas baterias
Dormir bem e intercalar cochilos colabora para o bom funcionamento da memória e da atenção
Pense no seu telefone celular, um aparelho pequenino e cheio de funções importantes. Cada vez que um sinal acusa falta de bateria, você o conecta ao carregador. Horas depois, o aparelho retoma as atividades. Lembre-se também de quando não há tempo para completar a carga do celular: bastam alguns minutos para garantir uma pequena nova reserva de energia.
Usando a tecnologia, é possível entender a relação entre o cérebro, um "equipamento" com funções primordiais, e o sono, nosso carregador natural de baterias. Reservando de seis horas e meia a oito horas de sono, descansamos e recuperamos partes importantes do cérebro, como aquela responsável por nossa atenção. Além disso, colaboramos para a regulação hormonal, ativamos as memórias e deixamos o cérebro reativar neutrotransmissores, como a serotonina, que nos deixa mais felizes.
- A privação de sono é um dos males da nossa sociedade competitiva - afirma o neurologista Geraldo Rizzo, autor do livro Vamos Dormir?. Pesquisas revelam que dormir menos do que o corpo precisa pode aumentar em 45% o risco de cardiopatias, hipertensão e alguns tipos de câncer, diz Rizzo. Em relação aos hormônios, a elevação do nível de cortisol noturno provoca transtornos de memória e expande o risco de diabetes. Além disso, faz o corpo produzir menos leptina, hormônio da saciedade, e mais grelina, que aumenta o apetite. - O sono repõe a energia química do cérebro, principalmente na forma de ATP. Aqueles que se privam de sono colocam sua vida e a dos outros em risco - afirma o pneumologista Denis Martinez, especialista em sono e professor de Medicina Interna da Famed-UFRGS.
Se o problema é a falta de tempo, a solução pode estar nos cochilos. Aproveitar instantes após o almoço ou quando se utiliza o transporte público para cochilar é a alternativa. - Quando não temos tempo de recarregar o celular, solucionamos colocando o aparelho na tomada por minutos. O cérebro também funciona assim. Apenas fechar os olhos por cinco minutos já ajuda - diz Martinez.
Saiba mais
Fonte: 04/08/2007 | ZERO HORA | Vida | p. 03 |
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