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Instituto de Cardiologia realiza procedimento por cateter para correção de defeito cardíaco congênito através do SUS.

07/12/2020

Aos 12 anos de idade a paciente K.R.S. talvez nem saiba, mas é personagem de uma conquista importante na cardiologia gaúcha. Portadora de um defeito cardíaco congênito chamado Comunicação Interatrial (CIA), ela é a primeira criança a receber o tratamento transcatéter minimamente invasivo pelo Sistema Único de Saúde no Rio Grande do Sul. O procedimento aconteceu nesta quarta-feira (2/12), no Instituto de Cardiologia de Porto Alegre.

A CIA é uma doença cardíaca congênita, ou seja, um defeito na formação do coração do bebê. Trata-se de um orifício no coração, que comunica o átrio direito ao esquerdo, alterando a dinâmica correta do órgão e também a circulação sanguínea. Se não tratada, pode levar a problemas sérios e potencialmente irreversíveis. 

Existem dois tipos de tratamento para a correção da CIA. O cirúrgico, que requer a abertura da caixa torácica e a manipulação cirúrgica do coração, apesar de mais arriscada era a única opção para tratamento através do SUS. Mas não dessa vez. 

Pela primeira vez no Rio Grande do Sul um hospital realizou o tratamento percutâneo (por catéter) dessa enfermidade através do Sistema Único de Saúde. Nessa opção, o fechamento do orifício é feito com próteses levadas até o coração através de finos cateteres venosos e arteriais inseridos pela virilha do paciente. Assim, não é necessário abrir o paciente.  

A técnica, mais moderna e menos invasiva, tem vantagens como menos dor no pós-operatório, menor risco de infecção, menos tempo de internação hospitalar e recuperação mais rápida, permitindo que o paciente retorne logo às suas atividades normais. 

Segundo o Dr. Raul Rossi, cardiologista intervencionista do Instituto de Cardiologia e membro da equipe que realizou este primeiro procedimento pelo SUS a técnica, em si, não é novidade para pacientes privados. "Esta técnica é utilizada desde 1998 em pacientes com seguros privados e a experiência do Instituto de Cardiologia é de mais de 1000 pacientes já tratados por esta forma de terapia, com altíssimo grau de sucesso. Estamos felizes por podermos finalmente estender os benefícios dessa técnica aos pacientes cobertos pelo SUS“, afirma. 

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista, no Brasil nascem 3.000 bebês com CIA por ano. A disponibilização do tratamento pelo SUS representa, além de uma ampliação do acesso a esse tipo de procedimento mais moderno e seguro, vantagens como menor tempo de hospitalização que beneficiam o sistema como um todo.

 

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