Eletrofisiologia

Chamamos de arritmia a irregularidade dos batimentos do coração. Alguns exames auxiliam a conhecer as causas dessas irregularidades e o nível de gravidade das mesmas. Através do diagnóstico dos exames o médico inicia o tratamento mais adequado. O Instituto de Cardiologia do RS oferece dois serviços que fazem exames para arritmias: o de Eletrofisiologia e o de Holter.
No serviço de Eletrofisiologia dois exames são utilizados: o Estudo Eletrofisiológico, eletrocardiograma feito diretamente no interior do coração, que permite obter informações detalhadas da atividade elétrica do coração e localizar a origem das arritmias; e a Ablação por Cateter com Radiofreqüência, que consiste na aplicação de calor através de cateteres na origem das arritmias. Várias aplicações poderão ser necessárias para destruir as células responsáveis pela arritmia.

O Serviço de Holter funciona com uma central e dez gravadores de Holter de 24horas e/ou com monitores de eventos para registros prolongados (acima de uma semana). Nestes exames não-invasivos é possível, através de registro eletrocardiográfico, obtermos o diagnóstico de diversas arritmias.
O Laboratório de Eletrofisiologia do Instituto de Cardiologia está situado na sala 1 do Serviço de Hemodinâmica, localizado na ala norte do bloco A do hospital. Esta sala possui um aparelho digital de fluoroscopia multiplanar (Philips) também utilizado para angiografia periférica. Um sistema de registro, amplificação e armazenamento dos sinais da marca Prucka (32 Channel CardioLab Integrated Electrophysiology System). Um estimulador cardíaco Medtronic modelo 5328. Um gerador de radiofreqüência com controle de temperatura (Osipka – HAT 300). Um cardioversor-desfibrilador cardíaco Marquette, modelo Cardioserv. E um novo sistema de mapeamento eletroanatômico (Insite – St Jude) para mapeamento de arritmias complexas.

Equipe: Dr Gustavo Glotz de Lima, Dr Marcelo Lapa Kruse, Dr Tiago Luiz Luz Leiria, Dr Leonardo Martins Pires
Secretárias: Ivone Cacere Almeida, Nicole Junqueira
Telefones: Eletrofisiologia:32303687, 32303909, 32303600 ramal 3687
                  Holter: 32303600 ramal 3768

Exames realizados

Estudo Eletrofisiológico
O estudo eletrofisiológico complementa o eletrocardiograma na avaliação das arritmias cardíacas, através de registros intracavitários e da estimulação elétrica programada.
É um método diagnóstico invasivo que utiliza cateteres eletrodos para registrar os eventos elétricos do coração. Inicialmente foi empregado para mensuração dos intervalos de condução atrioventricular e, posteriormente, para esclarecer os mecanismos arritmogênicos e para testar a eficácia de agentes antiarrítmicos. Atualmente também é utilizado para localização e mapeamento detalhado dos circuitos reentrantes e focos ectópicos, para posterior tratamento com ablação por cateter. Assim, tem finalidade diagnóstica, terapêutica e prognóstica.
O estudo eletrofisiológico é realizado em laboratório de eletrofisiologia através do posicionamento de cateteres eletrodos em regiões específicas das cavidades cardíacas. O paciente é levado ao laboratório em jejum e, após sedação leve, dois a cinco cateteres são introduzidos por punção percutânea via veias femorais, jugular interna ou subclávia, e posicionados com auxílio de fluoroscopia. Habitualmente um cateter é colocado em átrio direito alto, um cateter na região septal da valva tricúspide e um cateter na ponta do ventrículo direito. Tais cateteres são multipolares, sendo que os pares de eletrodos distais são utilizados para estimulações elétricas e os pares proximais para registrar os eletrogramas intracavitários. O cateter posicionado em átrio direito alto registra ou estimula a região próxima ao nó sinusal, o cateter da região septal da valva tricúspide, o feixe de His e o cateter da ponta do ventrículo direito, a atividade ventricular. Um quarto cateter pode ser posicionado dentro do seio coronário, para obter registros dos potencias do átrio esquerdo e mapear o anel atrioventricular esquerdo. Em algumas situações, um quinto cateter é necessário para mapeamento de focos arritmogênicos específicos, atriais ou ventriculares.

Ablação por Cateter com Radiofreqüência
Tem como objetivo curar as arritmias cardíacas destruindo pequenas áreas de tecido miocárdico ou do sistema de condução que sejam críticas ao início ou manutenção da arritmia. Em geral arritmias com um único foco de origem ou que envolvem um istmo anatômico estreito, podem ser curadas com as técnicas de ablação por cateter. De modo diverso, as arritmias com origem multifocal ainda não são passíveis de cura com tal técnica.
Os procedimentos são realizados em laboratório de eletrofisiologia especialmente equipados para realizar estudos eletrofisiológicos e técnicas de ablação por cateter. Os pacientes recebem sedação leve antes e durante o procedimento e dois a cinco cateteres são introduzidos via punção percutânea, após anestesia local, através das veias femoral, braquial, subclávia ou jugular interna, com auxílio de fluoroscopia, e posicionados nas cavidades cardíacas. Cada cateter tem quatro ou mais eletrodos. Geralmente o par distal é usado para estimulações e introdução de extra-estímulos enquanto os eletrodos proximais, para registrar os eletrogramas das regiões intra-cavitárias. Durante a ablação a energia de radiofreqüência é transmitida por um cateter com ponta direcionável e com eletrodo distal de 4 mm. A radiofreqüência geralmente é transmitida por 30 a 60 segundos entre o eletrodo distal e a placa neutra, colocada no peito ou nas costas do paciente.
Devido a importância crítica da temperatura durante a aplicação, recentes avanços nos sistemas de ablação permitem a sua monitorização e o controle, em sistema de alça fechada, da fonte de saída de energia possibilitando a manutenção da temperatura desejada do eletrodo. A monitorização da temperatura do eletrodo, em um sítio particular de ablação, é útil para determinar se uma aplicação sem sucesso falhou devido a mapeamento impreciso ou a aquecimento inadequado. Se for por aquecimento inadequado, aplicações adicionais de energia no mesmo local mas com melhor estabilidade do cateter podem ser eficazes e proporcionar resultado exitoso.

Informações para Pacientes
O coração funciona como uma bomba hidráulica que impulsiona o sangue assegurando a circulação por todos os órgãos do corpo humano. O coração é formado por quatro câmaras. As duas menores são chamadas de átrios (átrio direito e esquerdo), e as duas maiores de ventrículos (direito e esquerdo). Os dois átrios asseguram o enchimento sangüíneo dos ventrículos, e os ventrículos ejetam o sangue aos pulmões (direito) e aos demais órgãos vitais (esquerdo). Para funcionar adequadamente, o coração responde ao comando de células elétricas situadas no interior das câmaras cardíacas. O centro deste comando é chamado de nó sinusal e se situa no átrio direito e a passagem de condução elétrica dos átrios aos ventrículos ocorre através do nó atrioventricular e feixe de His, o centro de comando aos ventrículos.
O ponto de partida da corrente elétrica do coração se situa no nó sinusal. Este é o marcapasso natural do coração. Células especializadas transmitem a corrente elétrica a todas as fibras musculares dos átrios que se contraem. O sangue contido nos átrios é impulsionado aos ventrículos. Durante este momento a corrente elétrica segue sua rota passando pelo nó atrioventricular e feixe de His alcançando as fibras ventriculares. Os ventrículos se contraem ejetando o sangue pelas artérias. Estes são os batimentos do coração que podemos calcular pelas pulsações. Após o coração se relaxa enquanto o sangue entra novamente nos átrios vindo das veias e tudo recomeça sem pausas com maior ou menor aceleração de acordo com atividade ou repouso do corpo humano.
Chamamos de arritmia a irregularidade dos batimentos do coração. Tal irregularidade é causada por um centro do comando diferente do nó sinusal ou por bloqueios no caminho de condução do estímulo do coração, ou pela presença de trajetos anormais da condução do estímulo cardíaco.

Quem pode realizar os exames
O exame não poderá ser realizado em mulheres grávidas pela exposição de raios X.
Raspagem de pelos (tricotomia) será realizada nas regiões inguinais e nos homens também no tórax (poderá ser feita pelo próprio paciente um dia antes do exame).
Ë necessário jejum completo de 6 horas antes do procedimento.
O paciente deverá suspender medicação antiarrítmica de acordo com orientação de seu médico (geralmente 3 dias antes).
Na chegada ao laboratório o paciente será recebido por uma enfermeira e pelos médicos que farão o exame. Todos estarão vestidos com roupas estéreis para assegurar antissepsia do laboratório.
O paciente deitará sobre uma mesa de procedimentos abaixo de um aparelho de raio X (fluoroscopia). Haverá diversas telas de vídeo para visualizar a posição dos cateteres no coração do paciente, o registro da eletricidade interna do coração, sua respiração e pressão arterial. Poderá sentir, durante o exame, batimentos acelerados do seu coração e se desencadeamento da arritmia os sintomas usuais. No momento da ablação poderá sentir uma sensação de calor no tórax de 15 a 30 segundos. Ao final do exame o médico retira os cateteres e faz uma compressão no local das punções para evitar sangramentos. O paciente retorna ao seu quarto no mesmo dia onde deverá permanecer em repouso e sem movimentar a perna por 3 a 6 horas. Terá alta hospitalar na manhã seguinte.
As atividades habituais poderão ser reiniciadas logo após a alta, mas exercícios físicos intensos deverão ser evitados por alguns dias (2 a 3 dias conforme orientação médica).

Aparelhos
O laboratório de eletrofisiologia compreende uma sala apropriada para procedimentos clínico-cirúrgicos e, portanto, preparada com métodos de assepsia. Deve ser equipado com um aparelho de fluoroscopia, uma mesa de intervenção, um sistema de aquisição, amplificação e registro dos sinais elétricos do coração, um aparelho de estimulação cardíaca, um aparelho de ablação, um aparelho de anestesia, um desfibrilador cardíaco e um balcão de trabalho (Figura 1 - Laboratório de Eletrofisiologia - ICFUC).
Aparelho de Fluoroscopia
Atualmente vários cateteres são disponíveis, mas todos necessitam de pelo menos dois pares de eletrodos para registro ou estimulação bipolar (em situações especiais são feitos registros unipolares). Habitualmente são utilizados os quadripolares, mas podem ter cinco (decapolar, utilizados no seio coronário) ou, até mesmo, 10 pares de eletrodos (geralmente para mapeamento de flutter atrial). Variam em tamanho, de 3 a 8 French, sendo os menores de 5 French utilizados em crianças. Os cateteres para ablação com radiofreqüência são, direcionáveis e têm controle de temperatura.
Os cateteres são conectados a um sistema integrado de amplificação e registro e os sinais cardíacos submetidos a cortes de freqüência que geralmente variam entre 30 e 500Hz. Os sinais são transmitidos a monitor que, nos sistemas atuais, possuem duas telas de alta resolução com imagem colorida. Uma delas tem registro contínuo e em tempo real, e a outra é utilizada para congelamento de períodos específicos do exame, permitindo análise e mensuração dos intervalos dos potenciais intracavitários. Nos sistemas modernos a tela principal apresenta os traçados com identificação de freqüência cardíaca, pressão arterial e tem conexão com o estimulador. Tem possibilidade de apresentar os traçados em diversas velocidades (6mm/s, 12,5mm/s, 25mm/s, 50mm/s, 100mm/s, 200mm/s, 400mm/s, 800mm/s e 1600mm/s) facilitando a identificação e a mensuração dos eventos.

Sistema de Aquisição, Amplificação e Registro dos Sinais Elétricos do Coração
Atualmente vários cateteres são disponíveis, mas todos necessitam de pelo menos dois pares de eletrodos para registro ou estimulação bipolar (em situações especiais são feitos registros unipolares). Habitualmente são utilizados os quadripolares, mas podem ter cinco (decapolar, utilizados no seio coronário) ou, até mesmo, 10 pares de eletrodos (geralmente para mapeamento de flutter atrial). Variam em tamanho, de 3 a 8 French, sendo os menores de 5 French utilizados em crianças. Os cateteres para ablação com radiofreqüência são, direcionáveis e têm controle de temperatura.
Os cateteres são conectados a um sistema integrado de amplificação e registro e os sinais cardíacos submetidos a cortes de freqüência que geralmente variam entre 30 e 500Hz. Os sinais são transmitidos a monitor que, nos sistemas atuais, possuem duas telas de alta resolução com imagem colorida. Uma delas tem registro contínuo e em tempo real, e a outra é utilizada para congelamento de períodos específicos do exame, permitindo análise e mensuração dos intervalos dos potenciais intracavitários. Nos sistemas modernos a tela principal apresenta os traçados com identificação de freqüência cardíaca, pressão arterial e tem conexão com o estimulador. Tem possibilidade de apresentar os traçados em diversas velocidades (6mm/s, 12,5mm/s, 25mm/s, 50mm/s, 100mm/s, 200mm/s, 400mm/s, 800mm/s e 1600mm/s) facilitando a identificação e a mensuração dos evento.

Estimulador Cardíaco
A interface entre paciente e sistema de amplificação é conectada a um estimulador cardíaco. Com ele os átrios ou os ventrículos poderão ser estimulados a diferentes freqüências e batimentos prematuros, representando extra-sístoles, poderão ser provocados. A estimulação elétrica programada permite avaliação da função do nó sinusal, das propriedades de condução atrioventricular e o desencadeamento e interrupção de taquicardias supra ou ventriculares.

Gerador de Radiofreqüência
Para procedimentos de ablação com interrupção de circuitos reentrantes e focos de arritmias é utilizado gerador de energia na faixa da radiofreqüência, que é transmitida ao tecido cardíaco através de cateteres eletrodos multipolares.

Desfibrilador Cardíaco
Um desfibrilador cardíaco também é equipamento essencial ao laboratório de eletrofisiologia. Deverá ser capaz de realizar descargas com diferentes níveis de energia. Um modelo "hands free" é desejável, mas não fundamental.
Sistema Insite de Mapeamento Eletroanatômico
É um moderno sistema de mapeamento utilizado nos casos de arritmias complexas e nos casos de ablação de fibrilação atrial.